O Palmeiras

Diretamente da Europa, mais precisamente da Itália, desembarcaram no Brasil esquadras de Torino e Pro-Vercelli, trazendo um grupo de imigrantes no qual muitos eram apaixonados por um esporte que encantava o mundo: o futebol. Esses homens denominados italianos encantavam multidões com suas exibições com a bola de couro costurada, causando inveja aos jogadores ingleses que já praticavam o esporte no Brasil e até possuíam clubes.

Na vontade de reunir os imigrantes italianos e o amor pelo esporte, em 1914, os italianos Luigi Cervo, Vincenzo Ragogneti, Ezequiel Simone e Luigi Emanuele Marzo fundaram a "Societá Esportiva Palestra Itália", nome dado pelo próprio Luigi Cervo, que já atuava pelo S. C. International aqui no Brasil. "Palestra" vem do gregro Palaistra que significa o local onde se faziam exercícios ginásticos.
De agosto de 1914 a janeiro de 1915, o Palestra tratou de organizar a sua primeira apresentação para à cidade e a colônia. Foi uma festa, realizada no dia 9 de janeiro, um sábado, nos salões da Germânia (alugada por 300 mil reis) o grande baile de comemoração.

No entanto, a tão esperada estréia do time aconteceu em Votorantim, nas imediações de Sorocaba, na tarde de 24 de janeiro de 1915, contra o S.C Savóia, na época considerado uma das melhores equipes do interior de São Paulo. Após dificuldades com passagens e compra de camisas e calções, o Palestra estreou com vitória, e tudo se superou.
Após um primeiro tempo sem gols, o Palestra voltou disposto a vencer a partida, principalmente através das jogadas de Bianco, a estrela do time. E na metade do segundo tempo, em um pênalti cobrado pelo craque, saiu o primeiro gol da história do Palestra e um pouco antes do encerramento da partida, em mais um pênalti a favor, Alegretti determinou o placar final - S. C. Savóia 0 x 2 S. E. Palestra Itália. Stilitano, Bonato e Fúlvio; Pollice, Bianco e Vale; Cavinato, Fischi, Alegretti, Amílcar e Ferre foi a escalação. O juiz foi conhecido sportsman da época, Sílvio Lagreca.

Até 1916, o Palestra só jogou amistosos, e com o apoio da A.A. Palmeiras, consegue se inscrever na Associação Paulista de Esportes Atléticos, que na época dirigia o futebol dos grandes clubes, e estréia em um campeonato dia 13 de maio, no campo da A.A. Palmeiras denominado "Chácara Floresta", contra a A.A. Mackenzie College, empatando em 1 a 1. A escalação foi: Fabrini, Grimaldi e Rico. Fábio II, Bianco e De Biase, Gobbato,Valle II, Vescovini, Bernardini e Cestri.
No ano seguinte, foi realizado o primeiro jogo contra o S. C. Corinthians Paulista. Apesar de toda a tradição que os corintianos já acumulavam na época, o Palestra venceu no primeiro turno por 3 a 0, e o segundo por 3 a 1, chegando às finais do campeonato com o Paulistano em uma partida tumultuada, que acabou por determinar aquele que seria o ano negro da história do clube: 1918.
Em 19 de dezembro de 1920, na famosa "Chácara Floresta", o Palestra conquistou o seu primeiro título paulista, justamente contra o temido Paulistano, vencendo por 2 a 1. Martinelli e Matheus marcaram os gols palestrinos.

Um ano depois, a Societá Palestra Itália comprou por 500 contos de réis, uma parte do terreno pertencente companhia Antárctica Paulista, onde contruiu o seu campo com o nome de Palestra Itália.
Entre os anos de 1932 e 1936, venceu o campeonato Paulista 4 vezes: Em 1932, 1933, 1934 e em 1936. Vinte e oito anos após sua fundação o Palestra mudára de nome. Em 20 de setembro de 1942 o time passou a se chamar Sociedade Esportiva Palmeiras, devido à pressões sofridas pelo governo brasileiro, que estava em guerra contra os países do Eixo (incluindo a Itália) na II Guerra Mundial.
O sucesso do novo nome veio cedo. Logo no primeiro ano o Palmeiras se tornou Campeão Brasileiro em disputa com o São Paulo. Em 1951 conquistou o Primeiro Mundial Interclubes (Copa Rio), disputando o título com as melhores equipes do mundo, fazendo a final contra a tradicional Juventus de Turín, da Itália. Depois de ter protagonizado apaixonantes duelos contra o Santos de Pelé, na década de 60, o clube venceu três campeonatos Paulistas e dois Brasileirões na década de 70.

Foi então que passou a merecer o apelido de "Academia" pelo futebol técnico e bem jogado que caracterizava suas equipes. Como símbolo daquele time técnico, que jogava um futebol de classe, os palmeirenses elegeram Ademir da Guia, "O Divino". Vindo do Bangu, do Rio de Janeiro, Ademir da Guia chegou ao Palmeiras com 19 anos, tendo a responsabilidade de subistituir o então craque do time: Chinezinho, que acabára de ser negociado com a Fiorentina, da Itália. Nos primeiros dias de clube, Ademir não correspondeu as espectativas. Muito tímido e ainda assustado com a grandiosidade do Palmeiras, o garoto não apareceu. Mas de 1962 a 1984, Ademir foi a maior estrela que brilhou na constelação palmeirense. Tanto que em 1986 o clube ergueu nos jardins do Palestra Itália, um busto em sua homenagem, o maior jogador da hitória da Sociedade Esportiva Palmeiras de todos os tempos.

Porém, as glórias palmeirenses não se restringem apenas ao passado distante. Na década de 90 o time fecha uma parceria com a Parmalat e monta times praticamente imbatíveis. Alex, Edmundo, Evair, César Sampaio, Roberto Carlos, Rivaldo, Flávio Conceição, Djalminha, e muitos outros, levaram o Palmeiras à grandes conquistas nesse período. O bi-Brasileiro em 93 e 94, os marcantes Paulistas de 93, 94 e 96 e as inéditas Copa Mercosul e Copa do Brasil em 98 e a Libertadores em 99, que levou o time a disputa do Mundial contra o Manchester United. A partida foi emocionante e marcada pelos erros de Marcos (que fora atrapalhado pela luz dos refletores ao sair do gol) e do juiz (que anulou um gol legal de Alex alegando impedimento).

Em 2000 o time ficou com o vice-campeonato da Copa Libertadores após ser eliminado pelo Boca e pelo árbitro Ubaldo Aquino, que descaradamente prejudicou a equipe do Palmeiras no jogo em ‘La Bombonera’. Conquistou a Copa dos Campeões no mesmo ano com um time totalmente modificado após o rompimento com a Parmalat.

Em 2002 o pior drama do Palmeiras em todos os tempos. O time foi rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Foi aí que a torcida mostrou seu fanatismo. Lotou o estádio e empurrou o time, o resultado não poderia ter sido outro: em 2003 o time fez de longe a melhor campanha da Série B, com o melhor ataque, a melhor defesa, o jogador revelação (Lúcio) e o artilheiro (Vagner).

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