Tirone adota "pitacos" de Mustafá

Gestão de Arnaldo Tirone no Palmeiras adota "pitacos" de Mustafá
Pressão na WTorre, acordo com BMG e desgaste de Frizzo são exemplos da influência de ex-presidente
por Danilo Lavieri, iG

"Não sou fantoche e tenho luz própria". Essa era a resposta de Arnaldo Tirone quando questionado sobre a influência de Mustafá Contursi na sua gestão. Cinco meses depois, é possível concluir que o ex-presidente do Palmeiras tem muito mais poder de decisão no clube do que o prometido pelo atual mandatário.

São vários os exemplos que tornam possível essa conclusão. O acordo entre Palmeiras e BMG, por exemplo, foi encabeçado por Mustafá Contursi, sempre na linha de ajudar ao máximo o clube a diminuir as dívidas. O detalhe é que, há seis meses, Mustafá também foi um dos pivôs de um início de crise entre BMG e Palmeiras.

Na ocasião, em 2010, o então presidente Luiz Gonzaga Belluzzo já havia selado um empréstimo de R$ 60 milhões com a instituição financeira, mas conseguiu receber apenas R$ 25 milhões. É que no meio das negociações, um conselheiro do Corinthians, acionado por homens ligados a Mustafá, disse ao presidente do BMG que aquela dívida não seria paga caso a oposição (chapa de Arnaldo Tirone) ganhasse.

A briga para a melhora do contrato entre WTorre e Palmeiras também é outro ponto em que é possível ver pedidos de Mustafá sendo atendidos. O ex-presidente considera, entre outras coisas, absurdo o prazo de 30 anos de exploração do estádio pela companhia de engenharia e queria qualquer melhora para poder dizer que contrato evoluiu em relação à gestão passada. Conseguiu economia com vagas de estacionamento e camarotes.

Outro exemplo do poder de Mustafá Contursi no clube é a regalia que ele terá assim que apresentar o documento que pede a criação de um comitê gestor do futebol, acelerando o desgaste da imagem de vice-presidente Roberto Frizzo. Assim como toda mudança do estatuto, a papelada precisará passar pelas mãos do presidente do Conselho Deliberativo para que seja votado pelos conselheiros. Neste caso, José Ângelo Vergamini.

O pedido será imediatamente enviado para a votação do Conselho, coisa que não acontecerá, por exemplo, com o documento elaborado pela oposição para voto direto no presidente. Esse projeto, aliás, já tem todas as assinaturas necessárias, está engavetado há cerca de três meses e não tem previsão para ser votado, especialmente pelo representante máximo dos conselheiros ter o direito, por estatuto, de mandar à pauta quando quiser.

Logo no início da gestão de Arnaldo Tirone, Mustafá também usou de sua influência para travar pagamentos dos funcionários que ele considerava dispensáveis ou substituíveis, como os assessores de imprensa e membros do jurídico do clube. Tudo porque o setor financeiro, assim que trocada a diretoria, passou a ter representantes do ex-presidente no comando.

Outra mudança feita poucos dias após a entrada de Arnaldo Tirone foi nas categorias de base do Palmeiras. Vários funcionários que trabalhavam com os jovens foram demitidos, como foi o caso de Marcos Biasotto. Jair Jussio, que tem um ótimo relacionamento com Mustafá, assumiu como o novo diretor.

Em compensação, Mustafá ainda não conseguiu algumas mudanças pedidas diretamente para Arnaldo Tirone. O Avanti, por exemplo, já teria sido extinto de acordo com a vontade do ex-presidente. Isso, no entanto, ainda não aconteceu. O programa de sócio-torcedor chegou a ser paralisado, mas voltou a aceitar renovações por causa do pedido da agência de marketing contratada pelo Tirone, que considera um bom programa, apesar da fraca adesão.

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