PVC 'esgota' Arena

PVC ontem trouxe uma matéria muito boa e o assunto é a Arena Palestra Itália. Entrevistou Adriano Lanfranchi de Almeida, uma referência quando o assunto é seguros, pois bem, confira a matéria:


Especialista diz que exigência do Palmeiras não existe no mercado

A AON patrocina o Manchester United e é reconhecida como a principal empresa de seguros do mundo. No Brasil, seu diretor produtos financeiros, Adriano Lanfranchi de Almeida, foi consultado por este blog para saber qual sua opinião sobre a exigência do Palmeiras, de ter um seguro-garantia de 100%, antes de assinar a ratificação da escritura da Arena Palestra. “Se o clube está dizendo isso, trata-se de uma bobagem. No mundo inteiro, não existe seguro dessa ordem para obras desse tipo.” A ratificação é o cumprimento de uma formalidade burocrática. A escritura foi assinada em junho de 2010, com a ressalva de que deveria ser ratificada quando estivesse estabelecido o seguro-garantia. Antes disso, os Conselhos Deliberativo e Fiscal do Palmeiras já haviam aprovado o contrato para a construção da nova Arena.

Segundo Lanfranchi, os seguros-garantia foram criados no Brasil pela lei de licitações públicas, em 1993. Não têm por objetivo ressarcir o valor integral do projeto. Não se trata de um seguro como de um automóvel, com indenização prevista no valor avaliado do produto. Trata-se de um seguro de performance, ou seja, uma apólice que protege da falência da construtora. Que remunera uma parte do valor total a ser gasto, para ser aplicado enquanto se negocia outra construtora. “O dinheiro a ser pago varia de 5% a 20% do valor da obra, pela lei”, explica Adriano Lanfranchi. No caso da Arena Palestra, o seguro-garantia é de 38%. Em todas as reformas de estádios para a Copa do Mundo, Maracanã e Mineirão incluídos, a apólice é de 10%.

O presidente do Palmeiras considera desnecessário ter pressa para assinar a ratificação da escritura da Arena Palestra. A W. Torre deu prazo até sexta-feira. Tirone julga que pode não haver tempo para fazer isso, se precisar ouvir o Conselho Fiscal.

“Preste atenção. Eu vou ouvir o Conselho Fiscal, mas isso não significa que eu não vá assinar. Eu tenho o meu tempo. Esse é um negócio grandioso e não pode ser resolvido com pressa”, justifica o presidente do Palmeiras.

Tirone tem sido um bom presidente para o Palmeiras e toma decisões ao seu estilo, definido por aliados como “bagre ensaboado”. Esquiva-se e consegue o que pretende. No caso da Arena, pode ser diferente. Pela estrutura política do clube, é quase impossível contentar a todos os lados. O presidente terá de tomar uma posição clara, definitiva e rápida. Ou assina e entra na história como o dirigente que ergueu o novo estádio, ou não assina e deixa o clube em obras por tempo indeterminado.

Em ambos os casos, terá desafetos. Ou o grupo político de Mustafá Contursi, que faz restrições ao projeto da Arena. Ou um grupo de sócios que já anuncia processar Tirone por gestão temerária, no caso de atrasar a construção do estádio.

O empresário Walter Torre, sócio da construtora W. Torre, diz que a exigência de que a ratificação da escritura seja assinada até sexta-feira não se dá por uma queda-de-braço com o clube, mas como garantia para cumprir compromissos do momento atual da Arena: "Não se trata de minha empresa ficar nervosa com a relação com o Palmeiras, mas da necessidade de realizar compras importantes para este momento da obra", disse, em entrevista à rádio Bandeirantes, na última segunda-feira.

Além da ampliação do seguro-garantia, o Palmeiras exigiu ter acesso ao cronograma de obras. A construtora responde que o cronograma sempre esteve à disposição do clube e que só não tem sido visto porque o antigo diretor, José Cyrillo, responsável pela comunicação com a W. Torre, não foi substituído depois das eleições para presidente do Palmeiras.

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