Entrevista de WTorre ao Estadão

O empresário Walter Torre andava arredio. Mesmo com toda a polêmica em relação ao contrato de sua empresa, a WTorre, com o Palmeiras para a construção da Arena Palestra, vinha evitando falar. Com o aumento do volume de acusações, resolveu reagir. Passou a falar por meio do Twitter, respondendo a questionamentos e divulgando informações sobre o andamento da obra, orçadas em R$ 330 milhões.

Mas não queria falar com a imprensa. Na terça-feira, porém, recebeu o Estado com exclusividade e falou sobre os questionamentos ao contrato. Rebateu as acusações, disse que por exigência do ex-presidente Afonso Della Monica o contrato foi feito de maneira a não oferecer riscos ao Palmeiras e defendeu o formato do acordo. "Até porque, se no fim não der lucro, o problema é nosso.""

Explique a cláusula sobre a utilização da arena. O Palmeiras vai ter de pedir autorização?
Uma das maneiras que eu tenho para recuperar o investimento são as cativas, que serão alugadas ano a ano. Eu vou alugar para quem? Para os palmeirenses. Vocês acham que algum palmeirense vai alugar se o time jogar pouco lá? Até porque não é algo barato, o sujeito não aluga só para ele, mas também para a mulher, o filho...

Mas há uma cláusula que proíbe o time de treinar lá...
Antes deixa eu concluir esse negócio dos jogos. No dia 1.º de janeiro de cada ano, saberemos quando o Palmeiras jogará. Se houver algum conflito (data em que existe um show que já estava marcado, por exemplo), vai existir um acordo. E o Palmeiras vai querer, porque vai receber parte da bilheteria e a renda de um show é alta. Ah, e se os juniores chegarem à final da Copa São Paulo, por exemplo, e quiser jogar lá, joga.

E sobre os treinos?
O Palmeiras treinava no Palestra Itália? Não. E nos casos previstos em regulamento (das competições), o local será liberado. É claro que em situações que o Palmeiras solicitar, terá acesso. Aquilo lá é deles, eles nunca vão ser meus inimigos.

A WTorre vai explorar a arena por 30 anos. Não é um prazo muito longo?
Veja, o prazo foi definido em 30 anos porque não há carência para o Palmeiras. O clube vai receber desde o primeiro ano parte da receita bruta (gerada por shows, restaurante, lanchonete, etc.). E 100% da bilheteria dos jogos será do Palmeiras. Além disso, os custos de manutenção são nossos. Eu pago o conserto da cadeira.

Além da bilheteria, o que receberá o Palmeiras?
O Palmeiras começa a receber desde o primeiro dia. Nos cinco primeiros anos, 5% da receita bruta anual. Depois, a cada cinco anos essa porcentagem cresce 5%. Ou seja, do 26.º ao 30.º ano, o clube vai levar 30% da receita bruta (inicialmente, a concessão seria por 20 anos, mas o Palmeiras não receberia nada nos primeiros sete).

O senhor sabe que no futebol há um componente forte, a emoção. Por isso, há quem diga que o Palmeiras perdeu a sua casa...
Bom, tirando o fato de que o Palmeiras não vai gastar nada, daqui a 30 anos, eu vou passar um laço de presente na arena e dizer ao clube: "Toma, é sua".

Mas a arena pode estar envelhecida e malconservada...
Volto ao exemplo dos camarotes. Você acha que alguém vai se interessar por eles se estiverem detonados? Tenho de deixar bonito, pintado e com azulejos trocados.

Em qual prazo a empresa vai conseguir recuperar o dinheiro investido? E passar a ter lucro?
Normalmente, em negócios desse porte leva entre 12 e 15 anos. No caso da arena, pode chegar a 18. Só a partir daí é que começaremos a lucrar. E se no fim não der lucro, o problema é nosso. O Palmeiras não corre nenhum risco.

Um dos temores é de que a WTorre não conclua a obra. A empresa fez recentemente um acordo com o Banco Pactual. Passa por dificuldades financeiras? A arena corre risco?
Não tem nada a ver. Estamos falando de um negócio de bilhões (o acordo com o Pactual) e de outro de R$ 330 milhões. (O Pactual adquiriu a WTorre Properties, braço imobiliário da WTorre).

Mas há risco para a obra?
Não.

Só que o seguro não cobre o valor total.
Aí está ocorrendo uma confusão, por desconhecimento. O tipo de seguro que temos é um performance bond, que garante a conclusão da obra. Normalmente gira em torno de 15% do valor da obra. Mas o Palmeiras questionou tanto que chegamos a 42%, porcentagem atípica. Se a gente não concluir, a seguradora vai procurar alguém que faça. A seguradora assumiu esse compromisso.

As obras estão atrasadas?
Caminhamos rapidamente.

A arena será entregue no prazo prometido (abril de 2013)?
Sim, ou até antes. Do contrário, levo prejuízo.

Pode ser opção para a Copa das Confederações, caso o do Corinthians não fique pronto?
A arena estará pronta e dentro dos padrões Fifa. O gramado será rebaixado para atender ao que a entidade exige.

E para a Copa do Mundo?
O estádio é para 45 mil pessoas. Vai ter condições de receber jogos de um Mundial, mas não a abertura.

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