Osvaldo Brandão


Nada de campeonato Brasileiro por hoje, iremos tratar de alguém que por muitos anos se dedicou a treinar o Palmeiras. Também é verdade que treinou nosso maior Rival, além do SPFW e Cruzeiro. Mas foram poucas partidas do lado da monstruosa carreira que construiu e dos inúmeros times que montou, como na segunda Academia.

Fez 112 jogos no comando do Palmeiras, com 57 vitórias, 37 empates e 18 derrotas. Comandou o Corinthians por 24 jogos, Bambis por 14 e Cruzeiro por apenas 5 jogos.

Nunca gostou de dar entrevistas, certa vez, questionado por um repórter de como o Corinthians iria jogar, ele não pensou duas vezes: "Ora, com calções, camisas e chuteiras..."

O conto abaixo é de Michel Laurence:

Quando era repórter do Placar, fui fazer uma entrevista com Brandão no Palmeiras. Quando cheguei, o treino tinha começado, e era claro que Brandão estava de mau humor. Gritava com todos e exigia demais, principalmente do ponta-direita Edu, um velocista não tão bom de bola assim, mas que vencia a todos os marcadores na corrida e cansou de centrar para César Maluco e Leivinha fazerem gols.

Perguntei a um amigo o porque do Brandão estar tão nervoso:

- Acho que é porque o Edu não está jogando nada – explicou o amigo.

Terminou o treino, o Brandão chegou perto do Edu. Pelo que entendi, teve o seguinte diálogo com ele:

Brandão: – Edu, você não está jogando nada!
Edu: – Mas, seu Brandão…
Brandão: – Você está saindo à noite, não é?
Edu: – Não, seu Brandão, que é isso…
Brandão: – Então, está bem. Você não está indo para a farra, então pega a bola e vamos treinar!

Resmungando Edu trouxe a bola e Brandão gritou: - Vou te marcar… tenta me driblar.

Brandão já estava com 57 ou 58 anos e pedia para um homem de 25 ou 26 anos tentar passar por ele.

Carrancudo, contra a vontade, Edu pegou a bola e partiu veloz para cima de Brandão.

A cena que vi a seguir foi espantosa.

A bola passou, mas Edu quase caiu do “Jardim Suspenso”. Brandão deu-lhe uma “peitada” inacreditável.

- Vamos, de novo – gritou Brandão.

Edu, agora raivoso, pegou a bola e partiu novamente em velocidade.

Levou outra “paulada” incrível.

A cena foi se repetindo. Era praticamente impossível aquilo estar acontecendo. Brandão devia estar todo doído, machucado, mas não parava de barrar as avançadas do ponta. Até Edu cair e ficar sentado balançando a cabeça como se não estivesse acreditando.

Brandão chegou perto e afirmou:

- Seu filho da mãe, você está saindo à noite! – e esticou a mão para ajudar o ponta a se levantar.
Acho que Edu não respondeu. Brandão passou o braço pelo ombro do jogador. Saíram os dois abraçados do campo.

Osvaldo Brandão era valente, mas tenho certeza que naquela noite chegou em casa e tomou um banho de banheira com sal grosso, para passar a dor que devia estar sentindo por todo o corpo


O técnico deu nome ao troféu que é disputado por Palmeiras e Corinthians a cada clássico.


Entre os títulos conquistados:
- Campeão Paulista - Palmeiras - 1947, 1959, 1972 e 1974
- Campeão do Torneio Rio-São Paulo - Corinthians - 1953, 1954 e 1966
- Campeão Paulista - Corinthians - 1954 e 1977
- Campeão Brasileiro - Palmeiras - 1960 (Taça Brasil), 1972 e 1973
- Campeão Argentino - Independiente - 1967
- Campeão Paulista - SPFW - 1971
- Campeão do Torneio Bicentenário dos EUA - Seleção Brasileira - 1976

Um Comentário até agora.

  1. Mauro escreveu:

    Isso sim e' que era tecnico que sabia armar uma defesa. Digo mais: depois da era Brandao (72/73) o Palmeiras nunca teve defesas boas. Alias, foi o Brandao o ultimo tecnico que nos deu titulo importantes sem a ajuda de parceiros comerciais (os de 93/94 e a Lib foram sob a ajuda da Parmalat).
    Valeu pela historia e pela nostalgia!

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