Belluzzo ao Valor Econômico

Agência Palmeiras
25/09/2009

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, fala sobre o aumento da receita no futebol, a renegociação da dívida com os bancos, e, claro, sobre sua paixão pelo Palmeiras. Leia abaixo a entrevista na íntegra, publicada nesta sexta-feira, dia 25 de setembro.

O tapete verde na soleira da porta, os porta-retratos na sala de estar com a família vestida de verde, e as charges de Paulo Caruso expostas na parede, nas quais se destaca o brasão com o indefectível "P", não deixam dúvidas de que ali, no terceiro andar do prédio à rua Joaquim Antunes, zona oeste de São Paulo, mora um palmeirense convicto. É certo, no entanto, que oito meses depois de vencer a apertada eleição para a presidência do Palmeiras (por 145 votos a 123), Luiz Gonzaga Belluzzo sinta saudades da época em que a sua relação com o "Verdão" era pautada apenas pela paixão.

"Antes eu assistia ao jogo e, se o time não ganhasse, conseguia dormir tranquilamente, ao contrário de alguns amigos palmeirenses", diz. "Agora, sinto um peso nas costas". Não por acaso, esse economista, advogado e sociólogo pôs de escanteio as suas principais atividades (a diretoria da Faculdades de Campinas - Facamp e a consultoria editorial à revista Carta Capital, da qual é sócio) para se dedicar quase integralmente ao Palmeiras. O esforço tem sido recompensado pelos números, sua especialidade.

Desde que assumiu a diretoria de planejamento, no início de 2007, a receita anual com licenciamento e patrocínio cresceu dez vezes, de R$ 4 milhões para R$ 40 milhões este ano. As pesadas dívidas decurto prazo com os bancos, que passaram de R$ 23 milhões para R$ 37,6 milhões no período, estão sendo renegociadas para pagamento parcelado em cinco anos.

Novas fontes de receita, como o e-commerce, e o título de sócio-torcedor, a ser lançado em 28 de outubro, foram criadas.

A torcida tem ajudado. "Nunca vendemos tanto material esportivo do Palmeiras como agora", comemora Belluzzo, referindo-se às 600 mil peças que devem ser comercializadas este ano pela Adidas. Em 2007, foram 157 mil. O time vem fazendo a sua parte: lidera o Campeonato Brasileiro. Na noite de quarta, venceu o Cruzeiro de 2 a 1, em pleno estádio do Mineirão. "Fizemos apenas o feijão com o arroz", diz o presidente do Palmeiras.

A receita foi negociar bem os patrocínios, que precisavam ser firmados no final de 2008, bem em meio à crise mundial. A Fiat, antiga patrocinadora, que bancava R$ 8,5 milhões, titubeou ao ver os pátios cheios de carros. A Samsung fechou por quase o dobro, R$ 15 milhões, levando junto a parceira, a rede de varejo Fast Shop. Com a Adidas, a renovação também deu saltos: de R$ 3 milhões para R$ 9 milhões, fora os royalties com a venda de produtos, que deve completar receita de R$ 14 milhões. "Provamos que a exposição da marca no clube traz uma visibilidade valiosíssima", diz.

As fabricantes de bebidas AmBev e Femsa estão certas disso. Tanto que as últimas semanas foram de "leilão" para ver quem vai patrocinar o G4- o grupo dos quatro maiores times paulistas, formado por Palmeiras, Corinthians, Santos e São Paulo. A parceria, que envolve lançamento de cervejas com o nome do clube e ações de merchandising em campo, estava praticamente fechada com a AmBev, por R$ 1,5 milhão para cada time, mas a Femsa fez questão de brigar e agora o valor dobrou. Nos próximos dias, será dado o veredito sobre a cervejaria.

O projeto do título de sócio-torcedor, que será lançado no final de outubro, já tem novos parceiros. A companhia Azul estuda conceder até 15% de desconto no valor das passagens aéreas para os torcedores, que vão escolher pagar R$ 25, R$ 50 ou R$ 100 de mensalidade ao clube. Os palmeirenses associados terão direito ainda a descontos na compra de produtos de patrocinadores, como Samsung e Adidas.

"Vamos lançar mais produtos licenciados, como roupas de bebês e de pets", diz o diretor de marketing do Palmeiras, Rogério Dezembro, que é diretor de atendimento da agência Talent. Uma série de DVDs intitulada "As Academias", com a história dos principais atletas do clube, deve ser lançada no início de 2010, em parceria com a Fox. Hoje, sexta-feira, Belluzzo se reúne com a Prefeitura de São Paulo para tentar um acordo sobre o valor do IPTU - uma dívida que se arrasta desde a década de 90. A Prefeitura diz que está em torno de R$ 32 milhões. O Palmeiras, R$ 6 milhões. Talvez se a conversa fosse no Palácio dos Bandeirantes, onde o palmeirense José Serra dá expediente, não haveria impasse.

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