Sobre Kléber


Não gosto do Cosme, mas talvez essa entrevista com o empresário de Kléber seja interessante.

Parte em vermelha em destaque.


Por que a diretoria do Dinamo deixou Kléber voltar ao Brasil?
Porque o Kléber não queria jogar mais no Dinamo.
De jeito nenhum.
Ele já havia sido muito importante para as conquistas do clube.
O presidente percebeu a situação e aceitou emprestá-lo.
Ainda mais depois de ter a convicção que poderia ganhar muito dinheiro com ele.
E também facilitou o fato do Kléber ter feito uma artroscopia no joelho.
Levaria um tempo para se recuperar.

Para quais clubes você ofereceu o Kléber?
Eu procurei o Corinthians, mas o Antônio Carlos que era o gerente na época me disse que o clube não tinha dinheiro.
Ele sabia quem era o Kléber e disse que gostava muito do estilo dele.
Só que o Dinamo estava pedindo 400 mil dólares pelo empréstimo de um ano.
Era muito dinheiro para o Corinthians.

Fui para o Flamengo.
O vice Kléber Leite disse que ele não tinha o perfil de jogador flamenguista.
Não acreditei quando ouvi sua resposta.

Aí fui procurar o Luxemburgo que ainda estava no Santos.
Ele disse que não lembrava direito quem era o jogador.
Mas depois que viu o dvd, não só se lembrou como se empolgou com ele.
Disse que formaria o ataque perfeito do Santos: o Kléber e o Kléber Pereira.
Como o Kléber estava se recuperando da cirurgia, o negócio não pôde ser fechado imediatamente.
Quando o jogador se recuperou, fui falar com o Vanderlei e aí ele estava de saída do Santos.
Disse que estava fechando com outro clube forte e que nós tivéssemos paciência.
Enquanto isso vieram o Leão e o Ilton José da Costa para contratá-lo para o Santos.
Eu disse não.
Esperei pelo Luxemburgo.
Confiei muito no Vanderlei.
Esperamos, esperamos e ele fechou com o Palmeiras.
Fomos conversar com a diretoria e aconteceu o que ninguém sabe.

Conta logo, Giuseppe...
Os clubes brasileiros estão passando por enormes dificuldades financeiras que as pessoas não têm noção.
O Palmeiras alegou que não tinha dinheiro para bancar o Kléber.
Pelo plano de carreira que havia traçado para ele, o ideal seria ele jogar no Palmeiras e com o Luxemburgo como treinador.
Eu resolvi pagar do meu bolso os 400 mil dólares ao Dinamo.
A diretoria do Palmeiras ficou chocada com a confiança que depositei no clube e no Kléber.
E isso não foi 'privilégio' do Palmeiras.
Eu também banquei os 400 mil dólares de empréstimo do Rodrigo para o São Paulo.
Eu confiei nas duas diretorias.
E recebi.
Sabia com quem estava lidando.
A prioridade era fazer os meus jogadores estarem nos clubes certos.

E por que mesmo depois de tanto sucesso o Kléber foi embora do Palmeiras?
Por causa do alto custo dos seus direitos federativos.
E da falta de envolvimento da Traffic.
Vou explicar.
O Valdívia não queria sair do Palmeiras.
Se eu fosse o procurador dele faria com ele se manifestasse, explicasse para a torcida que estava saindo sem querer do Palmeiras.
Mas ele tinha de ir para que o Diego Souza, maior investimento da Traffic, brilhasse.
Só que ninguém esperava que o Kléber roubasse a cena.
E se transformasse no grande jogador do time e ídolo da torcida.
A Traffic ficou sem saber o que fazer, ainda mais porque estava negociando com o Keirrison.
O Dinamo queria o Kleber de volta.
A diretoria ucraniana percebeu que ele amadureceu como jogador.
Só que havia uma cláusula no contrato garantindo que o Palmeiras poderia ficar com ele por 7 milhões de euros.
Para qualquer outro clube custaria 15 milhões de euros.
A diretoria do Palmeiras me procurou dizendo que não tinha tanto dinheiro.
E nem acreditava que o Dinamo pedisse tão alto.
Nós brasileiros pensamos que somos os únicos espertos do mundo.

E o Luxemburgo?
Eu quero aqui acabar de vez com a história que ele não quis o Kléber.
Que o Vanderlei disse que ele era lento.
Nada disso.
O sonho dele era ver o Kléber e o Keirrison jogando juntos.
Seria sensacional para a Libertadores, ele sabia disso.
Além de todo o talento da dupla, Luxemburgo tinha certeza que Kléber seria o escudo de Keirrison.
Ao seu lado Keirrison saberia o que é lutar em campo, ter raça.
Os dois poderiam dar a Libertadores ao Palmeiras.
O Kléber não está no Palmeiras por causa da falta de visão e de interesse da Traffic.
O Palmeiras arrumou dois milhões de euros.
O Vanderlei conseguiu com um amigo dele, dono de hospital, mais dois milhões de euros.
Foi até falado que era um grupo italiano, mas na verdade, era o amigo do Vanderlei.
O Luxemburgo me disse que, se ele tivesse dinheiro, ele compraria o Kléber.
Ele esteve mesmo empenhado.
E o Palmeiras foi lá oferecer ao Dinamo os quatro milhões de euros.
O presidente disse que de jeito nenhum aceitaria menos que os sete milhões.
Foi essa a história da saída dele do Palmeiras.

Você foi ameaçado pela torcida Mancha (Alvi) Verde?
Fui. Falaram que eu estava tirando o Kléber do Palmeiras para ganhar dinheiro.
Eu fiz o seguinte: fui na sede da Mancha junto com o Kléber e conversamos com os dirigentes da torcida.
Expliquei toda a situação. Toda.
O Kléber se apegou demais à torcida do Palmeiras.
Nunca ele havia sido tratado com tanto carinho, com tanto respeito.
No dia seguinte, os torcedores picharam nos muros do Palmeiras: "Fica Kléber. Fora Traffic."
Foi o que valeu para o presidente da Traffic, Julio Mariz, dizer que eu havia pago a torcida para isso.
Uma grande bobagem.
Eu não tenho culpa se a Traffic não quis apostar em um jogador muito talentoso de 25 anos.
Não houve jeito a não ser ir embora do Palmeiras.
Minha família é palmeirense, apaixonada pelo clube.
Minha irmã Gabriela foi me xingando quando soube que o Kléber tinha saído do Palmeiras.
"Seu babaca, por que tirou ele do meu time? Só pensa em dinheiro, é?"
Meu pai também me deu uma bronca.
Disse que entendia a minha profissão, mas que eu deveria ajudar o Palmeiras.
Mas eu sabia que tinha feito tudo para o Kléber ficar e disputar a Libertadores.
O Palmeiras não soube se organizar para pagar o Dinamo.

E ainda ficou devendo dinheiro ao Kléber?
Infelizmente, sim.
Até hoje, mais de seis meses.
O Palmeiras deve três meses de imagem, 13º salário e outras coisas.
Estou decepcionado com esse atraso, essa falta de consideração por quem fez tudo para ficar no clube.

É verdade que o Kléber quase foi parar no Corinthians?
Por dez segundos que não.
O Andres me chamou quando havia acabado o prazo de 31 de dezembro do ano passado.
Vou confessar outra coisa, Cosme.
Não havia prazo nenhum que desse a prioridade ao Palmeiras.
Eu inventei para tentar ajudar o clube, o Vanderlei e o Kléber que não queria sair de lá.
Quando acabou eu fui chamado para conversar com o Andres.
Ele me falou que havia acabado mesmo de fechar com o Ronaldo.
Por ele, o ataque de sonhos do Corinthians seria o Fenômeno e o Kléber.
E ofereceu quatro milhões de euros pela metade dos direitos do jogador.
Fui lá para Kiev.
O presidente do Dinamo aceitou a proposta.
Quando eu estava ligando para o Andres, ele mudou de idéia e quis os sete milhões.
Sei como ele é. Se eu tivesse completado a chamada e falado com o Andres, o negócio estava fechado.
Por dez segundos, o Kléber não foi do Corinthians.

E o Cruzeiro?
Pelo meu planejamento, o Kléber precisava jogar a Libertadores da América.
Eu perguntei para o Neto que é muito meu amigo sobre a infraestrutura do Cruzeiro.
E ele só me incentivou a colocar o Kléber lá.
Marquei um encontro com o Zezé Perrela.
Cheguei lá para um café da manhã.
Éramos eu, ele e o governador Aécio Neves.
O Zezé foi logo me falando o quanto queria o Kléber.
E que o Cruzeiro era o clube que melhor vendia jogadores para a Europa.
Fui logo falando que queria que o Kléber ficasse muito tempo no Cruzeiro.
Era a hora de fazer uma carreira de sucesso e com raízes no Brasil.
O Zezé ficou meio chocado com o que ouviu e até se interessou mais por ele.
E foi assim que pensamos na transação.
O Dinamo já pensava que iria perder o Kléber.
Queria outro atacante brasileiro.
Tinha como opções o Dentinho, o Guilherme e o Dagoberto.
O Dagoberto foi oferecido.

O que você fez?
Falei para o presidente do Dinamo sobre o Guilherme.
Ele quis na hora.
O Zezé Perrella fez o negócio dos sonhos.
O Guilherme é um grande jogador, mas ganhou outro, desculpe, na minha opinião, mais completo.
E ainda recebeu de volta quatro milhões de euros.
A transação foi fechada o mais rápido possível.

E o Kléber?
Ele é muito desconfiado.
Queria ficar no Palmeiras.
Se indentificou, se sentiu querido, como nunca tinha sido.
Foi até a sede da Mancha, se despediu chorando.
E aceitou de vez o Cruzeiro.
Ele jurou para ele mesmo que iria ganhar tudo.
O Mineiro e, principalmente, a Libertadores.

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