O CQC e o futebol


Do Forza Palestra
Eu assisto ao CQC todas as segundas, sem falta. Gosto do humor deles, vejo talento em quase todos os integrantes e, isso posto, até abro uma exceção para a minha resolução de não ver TV aberta. Até por isso, sinto-me à vontade para escrever o que se segue:

A agressão de torcedores do Internacional ao repórter Felipe Andreolli deve ser encarada pela produção do programa como um recado: não se brinca com a paixão de ninguém.

Fato é que os repórteres do CQC vão aos estádios para fazer brincadeiras, provocar situações engraçadas e encontrar humor até onde não existe. E o ponto central é que essa busca não combina com a atmosfera de um jogo decisivo, menos ainda se for cercado de tensão como esta final de Copa do Brasil.

Não estou julgando se é certo ou errado. É como é, e isso precisa ser levado em conta antes de se enviar um repórter para o meio de uma multidão apaixonada e, pior, pronta para entrar numa guerra.

No caso específico do Internacional, é justo considerar o fato de os gaúchos tenderem ao separatismo. Como tal, consideram que um programa produzido em SP vá obrigatoriamente defender o ponto de vista do clube paulista. E há, ainda pior, o agravante das imbecis piadas sobre a preferência sexual dos gaúchos.

Isso posto, era evidente que um repórter do CQC seria agredido no Beira Rio, qualquer que fosse ele e mesmo se não viesse com chacotas. E seria assim em todos os estádios do país em que o futebol é encarado não como festa, mas como algo sério, a exemplo do que temos na frase que estampa a arte deste blog.

Era tão evidente a agressão que qualquer freqüentador habitual de estádios não deve ter estranhado a notícia, logo alçada pela imprensa à condição que se traduz pela adjetivação “Lamentável...”, com críticas ao fanatismo e toda a sorte de clichês.

Peço desculpas aos mais puritanos e até aos falsos arautos da moral e dos bons costumes, mas não vi nada demais nisso tudo. Meu ponto de vista está bem explicado, continuo a gostar do CQC, mas o que ocorreu no Beira Rio era previsível e deve ser levado em conta pela produção do programa.

Em recente visita ao Palestra Itália, minutos antes de um jogo de menor importância, o repórter Danilo Gentili deixou a sede social do clube depois de tomar um banho de cerveja, obra de sócios que já imaginavam o que poderia vir se ele continuasse por ali.

Não passou de brincadeira, mas o recado estava implícito: não se brinca com a paixão de ninguém.

Um Comentário até agora.

  1. William Zanchetta escreveu:

    Registro minha insatisfação com o CQC de ontem (06/07): eles foram ofensivos ao Palmeiras e seus torcedores, e não pretendo mais assistir aos seus programas. A cobertura do encontro de Palmeirenses Notáveis foi agressiva e tendenciosa. Lamentável.

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