Luxemburgo e o verdadeiro 3-5-2


Depois de "O que há com Luxemburgo", o autor do mesmo texto também escreveu sobre o esquema utilizado quando Willians e Edmilson estavam inteiros, era o esquema que mais me alegrava e mais compacto que o Palmeiras utilizou este ano, soube equilibrar ataque e defesa somadas a uma grande experiência e visão de jogo de Edmílson. Leia abaixo:

Fonte: ClicRBS (Escrito por Eduardo Cecconi).


O Palmeiras do Luxemburgo funciona dentro da filosofia tática original do 3-5-2 italiano. O líbero é verdadeiramente um líbero!

Nesta semana assisti à vitória do Palmeiras sobre o Potosí, pela fase classificatória da Taça Libertadores. Já adianto que nesse post não está em discussão a qualidade técnica do adversário, nem o resultado, nem alguma eventual projeção do que o Palmeiras virá a conquistar em 2009 - nem, tampouco, a figura de Luxemburgo. A discussão é eminentemente tática.

Vibrei com o 3-5-2 do Palmeiras. É o mais legítimo 3-5-2 italiano, com o autêntico líbero, um volante, dois meias, dois alas e dois atacantes. E a reprodução do conceito original deste sistema tático deve-se muito à contratação de Edmilson, o novo capitão do Verdão.

Sempre tive restrições técnicas a Edmilson, e não gostava de vê-lo na Seleção Brasileira. Mas há sobre ele um fato incontestável: a capacidade de desempenhar com precisão duas táticas individuais. Em sua carreira, Edmilson já foi zagueiro e volante. Agora, Luxemburgo utiliza a compreensão de duas funções do jogador para defini-lo como o líbero do Palmeiras. A primeira amostra foi muito boa.

Com o líbero de verdade, o Palmeiras não sofre do problema comum aos 3-5-2's à brasileira - carência numérica no meio-campo. Edmilson sabe exatamente o momento certo para deixar a linha defensiva e se juntar a Pierre, formando uma dupla de volantes e transformando o sistema em um 4-4-2. Mas, se a circunstância da partida exige, Edmilson retorna à primeira posição, na cobertura dos zagueiros, reconstituindo o 3-5-2.

Esse movimento permite, entre outras coisas, que os alas joguem apenas pelos lados, conferindo profundidade à equipe, sem precisar "fechar" para o meio-campo com a intenção de agrupar o setor. Apesar da qualidade técnica discutível, Armero e Capixaba passam boa parte do jogo totalmente abertos, no campo adversário, e simultaneamente, dando alternativas para os articuladores da equipe variarem jogadas entre direita, esquerda e meio.

A presença de um líbero autêntico também permite ao Palmeiras jogar com dois articuladores sem ser chamado pelos defensivistas de "faceiro". Afinal, Edmilson torna-se um volante ao lado de Pierre, desenhando o 4-4-2 convencional em quadrado - dois volantes, dois meias. E guarnecidos por este sistema inteligente, Diego Souza e Cleiton Xavier podem brilhar. A parceira é muito parecida com a de Tcheco e Souza no Grêmio. Mais vigoroso, Diego Souza joga pela esquerda (assim como Tcheco); mais habilidoso e cerebral, Cleiton Xavier cai para a direita (tal qual Souza).

Mas ambos - Diego Souza e Cleiton Xavier - novamente a exemplo da dupla gremista, trocam de lado frequentemente, e procuram jogar absolutamente próximos um do outro, chamando também os atacantes para tabelas na frente da área: Keirrison mais centralizado, no pivô e na bola de profundidade, e Willians (que guarda o lugar para Marquinhos) um pouco aberto à direita. E assim o Palmeiras tem uma variada paleta de jogadas: pelos dois lados com os alas, triangulações pelo meio, inversões entre os meias, passagem dos articuladores pela linha de fundo, diagonais dos alas, cruzamentos, chutes de média distância...um belo repertório.

Repito o que eu disse no primeiro parágrafo: não sei se vai dar certo sempre, nem se o Palmeiras vai ser campeão de algo. Mas Luxemburgo nos privilegia com a importação do verdadeiro 3-5-2 italiano. Este é o grande fato trazido pelo Palmeiras em 2009. E assistir em um gramado brasileiro à figura do líbero autêntico é tão raro que não poderia passar despercebido aqui no blog Preleção.

Talvez se no Grêmio o técnico Celso Roth utilizasse um líbero, a injustificável corrente de defensivismo que pede a ele a inclusão de um volantão na equipe estivesse sossegada, pelo simples movimento natural de um zagueiro que se torna volante, e de um 3-5-2 com cara de 4-4-2. Ninguém veria "faceirice" nenhuma. Em todo caso, os dois exemplos de 3-5-2 - o do Palmeiras (principalmente) e o do Grêmio - me agradam neste início de temporada.


Saudades né companheiros?

2 Comentários até agora.

  1. Piazera escreveu:

    É isso ai.

    Já notou que a maioria dos esquemas táticos que funcionam bem, em determinados momentos do jogo precisam variar com o 4-4-2?


    Abraço!

  2. Tbm gosto do Edmílson, o que eu não gosto é do Luxa colocando o Diego Souza como atacante, esse ano tá dificil tá parecendo o Brasileiro quando o Henrique e Valdivia sairam e o Palmeiras mudava de zaga e meio campo todos os jogos.



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    Abraços!

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