Entrevista Zinho


LANCENET! Qual a lembrança que você tem daquele título, 10 anos depois?
ZINHO: Foi um título que, para mim, teve um sabor especial. Eu voltei do Japão contratado para isso, para o Palmeiras ir para a Libertadores e ser campeão. Eu voltei em agosto de 1997, ganhamos a Copa do Brasil de 1998 e fomos para esta competição. Foi uma decisão acertada que tive.

LNET!: Aquela Libertadores preencheu seu currículo com todos os títulos?
Z: Foi um título que marcou e concretizou a minha história no Palmeiras. Porque, antes daquilo, eu já tinha uma história bonita no clube. Eu já tinha jogado na Seleção Brasileira, já tinha sido vendido para o exterior, mas a Libertadores consolida a carreira de um jogador. É muito legal olhar para trás hoje e ver quantos títulos importantes eu ganhei.

LNET!: Daquela campanha, algum jogo que marcou você? Você bateu o pênalti nas duas decisões que teve...
Z: Posso destacar o jogo contra o River Plate (vitória por 3 a 0, no Palestra Itália), mas, sem dúvida, o jogo mais marcante foi aquele contra o Corinthians (quartas-de-final) que a decisão foi nos pênaltis. Criou-se uma rivalidade muito grande, nós depois disputamos a final do Paulistão contra eles, o Felipão colocou o time reserva (no primeiro jogo) e eles falavam que estavam torcendo depois para o River Plate (ARG) e para o Deportivo Cali (COL). Até hoje eu não sei como eu consegui caminhar do meio-de-campo para bater aquele pênalti contra eles no Morumbi.(Arce, Evair, Rogério e Zinho marcaram os gols de pênalti do Palmeiras na vitória por 4 a 2 diante do Corinthians. Após o jogo, ainda no gramado, Zinho disse: “Foi a maior pressão da minha vida.”)

LNET!: Mas você não sabe como conseguiu bater aquele pênalti por causa do desgaste físico ou psicológico?
Z: Psicológico. Foi uma das maiores pressões da minha carreira aquela cobrança. Na final da Libertadores, eu bati também (o primeiro pênalti) e perdi, mas eu estava muito mais tranquilo. É aquela coisa, né, estar com o frio na barriga é melhor do que estar confiante demais. Eu passei uma pressão tão grande contra o Corinthians, que na final estava mais calmo e chutei na trave. (O Deportivo Cali (COL) acertou as três primeiras cobranças, com Dudamel, Gaviria e Yepes. O time colombiano vencia por 3 a 2, mas Bedoya e Zapata perderam as duas últimas cobranças e o Palmeiras venceu por 4 a 3: era o título inédito.)

LNET!: O que você pensou depois que perdeu o pênalti? No projeto?
Z: Você chega em uma decisão por pênaltis e precisa ter talento também, mas a parte psicológica pesa muito. Na final, depois de tudo o que você passou, de todo o esforço que fez para chegar até ali, fica aquela coisa na cabeça: ‘se eu não ganhar, será que vou ficar marcado por ter errado o pênalti?’

LANCENET: Como o Felipão marcou o elenco? Alguma atitude marcou?
Zinho: O Felipão era aquele treinador exigente e disciplinador. Bem sério, que cobra. É tipo um generalzão. Ele tem o estilo de dar a bronca e depois passar a mão, como um paizão mesmo. Ele tinha esse lado. O Felipão cobrava, mas sabia dar carinho, juntar o grupo. Ele criou a falada “família Scolari”, que todo mundo fala.

LNET: Alguma passagem no vestiário marcou você? Como era?
Z: Houve divergências, mas normais em um elenco de futebol. Mas a gente tinha um relacionamento muito bom, com brincadeiras, animação. Acabava um treino e a gente ficava até 19h no vestiário, conversando, às vezes fazendo batucada, cantando...

LNET: Qual a relação com o Palmeiras? Há algum laço até hoje?
Z: Minha relação é excelente. Tenho um contato bom com o (Gilberto) Cipullo (vice-presidente de futebol), com todas as pessoas que estão trabalhando no clube desde aquela época. O Palmeiras está dentro da minha vida, foram seis anos no total. Não tenho só carinho, mas um agradecimento pelo que o clube fez para mim.

LNET: Você está no Miami FC, hoje é técnico, quais são seus planos?
Z: O campeonato aqui termina em setembro e estamos disputando uma liga inferior à MLS (Major League Soccer, a liga profissional do país). Depois, vou pensar. Ainda não apareceu nada no Brasil. O meu objetivo é ir para um centro onde o futebol é o primeiro esporte. Mas está sendo bom criar as minhas filhas aqui neste país.

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