Entrevista Paulo Nunes


Continuando reproduzindo o Especial dos 10 anos da Libertadores pelo Lance. Pois o que é bom, é para repassar.

L!: Você já se deu conta que aquela conquista fará dez anos?
PN: A gente fica pensando, pô, já faz dez anos que isso aconteceu (risos). Meu Deus! Eu lembro de tudo, lembro dos primeiros jogos, das viagens, das conversas. Eu tenho aquele DVD guardado. Eu fico muito feliz de estar na história de um grande clube como é o Palmeiras
NR: Na época, uma fita VHS foi produzida e vendida com os bastidores da campanha.

L!: Você visitou o Palestra há pouco tempo. O que sente quando volta a entrar no estádio?
PN: Quando eu chego lá, imagino o estádio lotado. Eu imagino a gente chegando ao vestiário, a torcida já ia bem antes para nos incentivar na entrada. Não menosprezando os times de hoje, mas a Libertadores que a gente disputava era muito mais forte, com times mais poderosos. Eram equipes muito fortes, sem falar dos brasileiros. Eram jogos emocionantes, um 3 a 0 contra um time maravilhoso do River Plate. São coisas inesquecíveis.

L!: E as lembranças do time?
PN: Nossa equipe era muito forte, eu falo com orgulho. O banco de reservas tinha Evair e Euller. Qualquer ataque do Brasil hoje teria eles. A gente disputava o Paulista até com o time reserva. E tinha a Copa do Brasil junto. Hoje vejo gente reclamando. E a gente jogava três jogos decisivos na mesma semana.

L!: Qual Libertadores valeu mais para você: com o Grêmio em 1995 ou com o Palmeiras em 1999?
PN: Sem dúvida nenhuma foi o de 1999, porque foi um título inédito. A torcida do Grêmio cresceu muito por causa daquela geração que eu participei, tem tudo isso, mas o título do Palmeiras foi muito mais importante. A gente entrou para a história. Sempre vão lembrar do primeiro. Faz dez anos e até hoje a torcida ainda fala que tenho de voltar. Já parei de jogar. É um clube que estará na minha vida sempre.

L!: Você ficou marcado pela irreverência, identificação com a torcida. Qual é a sua recordação?
PN: Eu chegava ao Palestra e os próprios torcedores levavam máscaras, ideias para mim. Eu recebia cartas. Hoje o futebol perdeu a graça. Eu vi o Kléber (atacante do Cruzeiro, ex-Verdão) falando isso, que era bonito ver o Paulo Nunes ou o Viola com brincadeiras, irreverência. Hoje não pode. O gol é a coisa mais importante do futebol.

L!: A oração no vestiário em Cali, após a derrota na primeira final, marcou. Como você participou?
PN: Eu lembro muito bem. O Felipão falava que eu era um cara alegre e era para botar o pessoal para cima. Eu vi todo mundo meio caído e gritei: vocês estão loucos, precisamos de uma vitória simples em casa. O pessoal começou a gritar, o Alex... Aí começou a oração. Nós saímos fortalecidos para o jogo da volta.

L!: Nos pênaltis, na grande final, onde você estava posicionado?
PN: Eu estava do lado do Zinho e do Júnior Baiano, orando. A gente estava agachado. Na hora que o Zapata errou, eu só vi o Marcos correndo, aquela galera toda. Só ali caiu a ficha, foi uma emoção muito grande. Aquele filme passa na minha cabeça toda hora. É isso que fica.

L!: E o Felipão, o que falar dele?
PN: Ele procura em todas matérias de TV, de jornal, um pontinho que deixa o jogador motivado ou puto da vida. Ele usa aquilo para te dar mais força e mostrar que a crítica não é verdade. Ele ajudava também até financeiramente. Além de treinador, era um pai para mim.

L!: O que você tem guardado até hoje em sua sala daquele título?
PN: Tenho tudo. Eu tenho todas as camisas de títulos, não só da Libertadores. Tenho a camisa da estreia pelo Palmeiras em 1998, contra o Vasco, em São Januário. Eu tenho chuteiras velhas. São coisas para guardar e para os filhos verem. Tenho a medalha, a máscara do Japão... Tudo com muito carinho. Ter feito parte daquilo é um orgulho.

Um Comentário até agora.

  1. Essa entrevistas que o Lance está fazendo é fera!!!

    Paulo Nunes e Oséas não eram um dupla de craques no ataque, mas eram eficientes \0/

    Abraços da uma passada no meu...

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