Entrevista Felipão 2


LANCENET!: Você diz que virou palmeirense, que aprendeu a gostar do clube depois de tudo o que passou. Como foi a sua relação com a torcida? Os torcedores da numerada foram apelidados por você de “turma do amendoim” e este nome pegou até hoje.
FELIPÃO: Quando eu cheguei ao Palmeiras, vim do Japão (dirigiu o Júbilo Iwata), mas com três anos e meio de Grêmio e grandes confrontos contra o Palmeiras (o time gaúcho eliminou o Palmeiras na Libertadores-1995). Tinha um amor e um ódio e não se sabia o limite, o que era maior. À medida que fomos jogando, revelando jovens jogadores. Acho que foi a época que mais saíram jogadores jovens do clube. Quando tinham substituições, algumas coisas aconteceram, briga com a turma do amendoim...

LNET!: Mas houve apoio da outra parte da torcida também, não foi isso? Na final da Libertadores, você até distribuiu ingresso para os torcedores.
F: O pessoal do lado contrário viu que o Palmeiras precisava de apoio e viu que era o trabalho correto. Todos foram mudando e o Palmeiras passou a ser aquele time bom dentro de campo e espetacular fora. Quem fazia o Palmeiras crescer era a torcida. Aí então não tínhamos mais a turma do amendoim, tínhamos o hino, todos com camisetas do Palmeiras. Muitas coisas mudaram à medida que a torcida entendeu que o time deu a resposta que todos queriam.

LNET!: Para os jogadores, as partidas contra Vasco, no Rio de Janeiro, e os dois jogos contra o Corinthians foram os mais marcantes. E para o treinador, em qual sofreu mais?
F: Sim, foram jogos marcantes. O Corinthians era o adversário mais difícil na nossa opinião. Era um clássico e tinha um envolvimento diferente. Fomos empurrados para a condição de chegar à final depois daquela vitória (nos pênaltis, após vencer o primeiro jogo por 2 a 0 e perder o segundo pelo mesmo placar no Morumbi).


LNET!: O Palmeiras agora está em uma situação complicada na Libertadores. Empatou em casa com o Nacional (1 a 1) e precisa vencer no Uruguai para chegar à semi. Mesma situação do seu time em 1999, contra o Vasco. Qual recado você pode passar para o grupo atual do Verdão?
F: Não vou passar nenhum recado sobre o bicampeonato, embora eu espere que a final seja entre Palmeiras e Grêmio. Eu ficaria duplamente satisfeito se isso acontecesse. Eu vi o jogo do Palmeiras contra o Nacional no Palestra Itália. Acho que o Palmeiras só não ganhou porque a bola não quis entrar. Mas eu tenho 99,9%, ou até 100% de certeza de que o Palmeiras ganha o jogo do Nacional (em Montevidéu, na próxima quarta-feira, dia 17) e passa à fase seguinte.

(Nota da redação: Para o Palmeiras enfrentar o Grêmio na decisão, é preciso que três brasileiros cheguem à semifinal. Se só dois passarem, eles vão se enfrentar, já que a Conmebol quer evitar confrontos de equipes do mesmo país na final, como foi em 2005 e 2006.)

LNET!: Algum motivo especial para acreditar em uma vitória do Palmeiras? O time não está bem...
Penso assim por tudo o que eu vi o Palmeiras jogar, pelo o que eu conheço do trabalho do Vanderlei Luxemburgo e da forma como ele tem o enfoque para trabalhar esses jogos. Ele faz a equipe ter uma vontade maior do que em outras partidas nessas situações. E os jogadores sabem que, na história do Palmeiras, o clube só chegou a esse título com muita dedicação e com muita luta. O Marcos é o representante ideal para passar a eles as dificuldades que nós passamos para chegar à final. Desejo que o Palmeiras passe e vá à final. Depois é outra coisa.

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