Entrevista do Evair


LANCENET!: Você diz que o pênalti mais tenso foi contra o Corinthians. Foi o também o jogo mais marcante?
EVAIR: Não, acho que foi contra o River. Tivemos uma partida difícil na Argentina, eles erraram muitos gols, o Marcos se destacou. Quando passamos por ali, eu vi que a gente poderia vencer a Libertadores.
(Nota da Redação: Na semi, Verdão perdeu por 1 a 0 em Buenos Aires e atropelou os argentinos em casa: 3 a 0).

LNET!: Você já era ídolo e veterano. Como foi voltar ao Palmeiras?
E: Eu tinha acabado de sair da Portuguesa. Vi que não iria renovar, tinha notícias até mesmo do Corinthians. Quando apareceu o Palmeiras, fiquei muito feliz. Foi uma surpresa para mim e para o torcedor. Foi um prêmio estar presente em 1999.

LNET!: Como era o relacionamento dentro do vestiário, na concentração?
E: Em 93 e 94 tinham muitas brigas, mas em 99 foi mais tranquilo. Tinha um foco e jogadores experientes. Todos sabiam o que queriam. Foi muito interessante, do início ao fim. A campanha começou boa e terminou da melhor maneira possível. O time era experiente, com um bom comando.

LNET!: Todos elogiam o Felipão. Como era o seu relacionamento com ele?
E: Era tranquilo, um relacionamento profissional, de respeito. Foi ele que aprovou minha volta. Não se contratava sem o Felipão querer. Era uma forma de motivação e de incentivo. Eu também queria ajudar o Felipão.

LNET!: Como um grande ídolo, ficar no banco de reservas incomodou?

E: Eu sabia que entraria em todos os jogos. Incomodava ficar no banco, mas eu sempre dizia que precisaria respeitar o técnico e os companheiros. Sabia que tinha condições de jogar, mas respeitava. Eu queria jogar e tinha apoio grande da torcida.

LNET!: Nos pênaltis contra o Corinthians, do que você lembra?
E: O que mais chamou atenção era o cansaço depois do jogo. A gente procurava respirar, porque foi uma pressão tão grande e tínhamos de manter o equilíbrio. Eu sabia que bateria, deitei no chão e só pedi para respirar. Eu tinha medo de não chegar na bola com firmeza. Naquela hora, você se lembra de Deus, das vitórias.

LNET!: Você foi expulso na final. Aquela foi a maior decepção?
E: Eu fiquei muito decepcionado. Toda Libertadores os times brasileiros são prejudicados, hoje é um pouco menos. O cara (do Cali) apontou para mim e fui expulso, foi algo revoltante.
(Nota da Redação): Evair foi expulso por suposta agressão.

LNET!: De onde você viu as cobranças que decidiram o título?
E: Eu estava ajoelhado (no vestiário) de um lado e com um padre do outro lado (risos). Eu não podia mais fazer nada. Eu seria um dos batedores de pênalti. Aquilo deu a entender que eu fugi, mas queria estar lá dentro. Eu me ajoelhei, sou evangélico. E tinha o padre (Pedro Bauer, amigo de Felipão). Eu já encontrei ele depois e demos risadas. Aquele foi um dos momentos mais desesperadores da minha vida e da minha carreira. Quando o Zinho errou, eu fiquei sabendo. Aí eu fiquei sozinho e só ouvia o grito da torcida, quando sai gol ou não. Quando gritavam, beleza. No silêncio, já dava desespero. No final, com o barulhão, eu não acreditava mais. Eu sai do vestiário e vieram me falar: nós somos campeões!

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