Entrevista Arce


L!: Qual é a lembrança daquele título, dez anos depois?
A: A lembrança que eu tenho é que tudo foi muito bem preparado pelo nosso treinador. Tinham jogadores experientes, que já haviam vencido a Libertadores, como eu e o Paulo Nunes, por exemplo, e tinha outros atletas, uns mais jovens, outros mais experientes, mas que não tinham ganhado esta competição. E a Copa Mercosul do ano anterior foi utilizada como laboratório, justamente para dar experiência em jogos internacionais para o elenco.

L!: Como paraguaio, você tinha alguma função especial no grupo?
A: Difícil medir se eu tinha uma importância diferentes, mas eu e o Rivarola dávamos uma mão com a língua, porque muitos árbitros eram estrangeiros, e porque já tínhamos um conhecimento dos árbitros que apitavam estas partidas. Mas o fundamental foi o trabalho da comissão técnica com o elenco, os jogadores eram qualificados, tínhamos dois atletas em casa posição e, aos poucos, aquele time foi se montando e crescendo. E tivemos várias finais antes daquele jogo contra o Deportivo Cali (COL), como contra Vasco, Corinthians e River (ARG) nas etapas anteriores.

L!: Você ganhou a Libertadores duas vezes na sua carreira. Tem como comparar os dois títulos?
A: Os dois foram complicados (com o Grêmio, em 1995 e com o Palmeiras, quatro anos depois). Mas com o Palmeiras os rivais eram mais diretos do que em 1995. Ganhamos fora do Vasco, depois tivemos o clássico contra o Corinthians, que a vaga só veio nos pênaltis, depois o River... Foi uma edição de Copa Libertadores bem complicada aquela.

L!: Experiente, você teve de ensinar algum atleta a se comportar?
A: Não, a linguagem da bola é universal. O jeito de se impor é praticamente o mesmo, mas nos jogos contra os dois times paraguaios na fase de classificação (Cerro Porteño e Olimpia) eu e o Rivarola ajudamos com a língua, pois a gente fala guarani (dialeto falado no Paraguai).

L!: Dos três gols que você fez naquela edição do torneio, qual foi o mais importante? Contra o Vasco?
A: Não, acho que foi o da virada contra o Cerro Porteño, no Palestra Itália. Se a gente não tivesse ganho aquela partida, o Olimpia poderia nos eliminar, caso vencesse o Corinthians no Pacaembu. E a torcida estava pegando um pouco no meu pé também, porque eu era um cara tímido e não festejava muito os gols. Mas aquele eu lembro que vibrei bastante. E fiz o gol na decisão por pênaltis contra o Corinthians, que pra mim valeu muito também.

L!: Hoje você é técnico, qual a importância de ter um jogador com a bola parada boa como era a sua?
A: Não gosto muito de falar de mim, mas é fundamental ter alguém que vá bem no fundamento. No futebol atual, é importante ter o jogador em uma situação boa para fazer lançamentos. O batedor de faltas é um cara que fica muito sozinho. Porque na hora que ele pega a bola, o estádio fica em silêncio, todo mundo espera algo diferente, o gol.

L!: O Palmeiras chegou a quatro finais de Libertadores e só um time venceu. Qual a satisfação disso?
A: Nunca pensei nisso, nem tenho esta vaidade. Mas fico feliz por ter participado daquele elenco, que foi fantástico. O tempo passa rápido, muita água já correu por baixo da ponte do Palmeiras, mas acho legal a consideração e o respeito que o torcedor tem. O título é passageiro, mas ter o reconhecimento da torcida é uma coisa muito importante, que não depende só de uma conquista.

L!: O que é mais complicado, ser lateral-direito ou treinador?
A: Técnico, sem dúvida. Agora não posso mais cruzar... (risos) Jogar é outro astral. Dirigir um time requer muitas coisas, fatores que você precisa unir para tudo encaixar.

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