O que há com o Luxemburgo?


Uma hora e meia antes do jogo, publico esse texto.


O Palmeiras, no 3-5-2 à brasileira, foi facilmente contido pelas duas linhas do Nacional, que o induziram a fazer ligação direta na saída de bola com os zagueiros

Eu tinha Luxemburgo como o maior estrategista do futebol brasileiro em atividade no futebol brasileiro. Um técnico que sempre teve predileção pelas equipes equilibradas, nem ofensivas nem defensivas, mas sabendo marcar e jogar com a mesma competência. Atributos que lhe renderam títulos, notoriedade, e excursões pela Seleção Brasileira e o Real Madrid.

Mas o vírus do 3-5-2 à brasileira está fazendo ruir esta imagem. Luxemburgo parece ter feito um estágio em clubes que já demonstraram a ineficácia do casamento do sistema 3-5-2 com a estratégia voltada aos três zagueiros fixos, aos alas abertos e à marcação por função. Ao invés de tomar os maus exemplos recentes de Grêmio e Sport Recife, decidiu incorporá-los como alternativa prioritária. Contrariando a si mesmo, depois de utilizar um eficiente 3-5-2 italiano com líbero (Edmilson), e até um 4-3-3 com inúmeras variações.

O Palmeiras não se parece com um time treinado por Luxemburgo. Ontem, contra o Nacional, o técnico errou na escolha do sistema tático, na estratégia aplicada ao esquema, e na escalação. Não por acaso, aos 28 minutos do primeiro tempo, realizou duas substituições - sem, entretanto, alterar o sistema ou a estratégia. Fato reincidente depois de más apresentações contra o Sport Recife.

O Palmeiras joga no 3-5-2 com três zagueiros fixos, dois volantes, e um meia improvisado no ataque. A defesa tem alinhados Maurício Ramos na direita, Danilo "na sobra", e Marcão pela esquerda; nas alas, abertos e desagrupados dos outros setores, Armero e Fabinho Capixaba; no meio, o volante Pierre centralizado, e mais o volante Souza, restritos à marcação, além do armador Cleiton Xavier, também recuado; e no ataque, Diego Souza improvisado na frente, ao lado de Keirrison.

Diego Souza surgiu no futebol carioca como segundo volante. Assim se destacou por Flamengo e Fluminense, assim foi para o Benfica, e assim chegou ao Grêmio. Se bem lembrarem, Diego Souza iniciou a Libertadores de 2007 como reserva de Lucas. Foi Mano Menezes, vendo-se sem alternativas na articulação, e na época convicto de que o 4-5-1 era o melhor sistema para a equipe, quem adiantou Diego Souza, aproximando-o de Tcheco. Mas Diego não é atacante, e nunca será, porque suas características são diversas das exigências da função.

Mano acertou ao adiantar Diego (não entro no mérito se o 4-5-1 era o sistema adequado, mas sim na escolha da tática individual do jogador). O camisa 7 do Palmeiras é um apoiador. Apoiador é o meio-campista que conduz a bola em apoio ao ataque. Ele tem relativa velocidade, força física, vigor, raça, e potência no chute. Com tudo isso, portanto, precisa de espaço para avançar, da intermediária para a frente. No ataque, acaba sucumbindo aos zagueiros.

É injustificável improvisar Diego no ataque em nome da manutenção do 3-5-2 à brasileira, ainda mais com a escalação de dois volantes. Mesmo mantida a estratégia, Luxemburgo poderia ter iniciado sem Souza, para a entrada de Ortigoza na frente. Percebendo o erro, ele sacou Souza e Capixaba, colocando Marquinhos na ala, e Obina na frente. Poderia, ao invés de Souza, ter tirado Marcão para constituir um 4-4-2.

Mas se a entrada de Obina significou o retorno de Diego Souza ao meio, Luxemburgo também optou pelo recuo de Cleiton Xavier, que se alinhou a Pierre como um volante. Ou seja, o time continuaria sem articulação, com seis jogadores defendendo, e três atacando, mas sem organização no meio-campo. Sem conseguir criar nenhuma chance de gol.

O que fez o Nacional, frente a esta desarticulação? No seu 4-4-2 que, sem a bola, forma duas linhas de quatro jogadores, o Nacional adiantou os dois setores - a linha de defesa, e a de meio-campo. Formou um bloqueio compacto a partir da intermediária de defesa, até a divisória central. E deu liberdade aos três zagueiros do Palmeiras. O Nacional induziu, e o Palmeiras comprou a ideia, Marcão, Danilo e Maurício Ramos a fazer a articulação da equipe. Foi um festival de ligações diretas, balões, passes errados e abertura de espaços para contra-ataques. Meio-campo para alugar.

Depois de um gol ocasional - Diego Souza, na sua posição original, acertou um petardo do meio da rua - Luxemburgo prontamente retornou ao planejamento defensivista original. Logo dele, de quem eu nunca esperava assistir a esta cena: ele tirou Keirrison, e colocou o volante Jumar. Sim, novamente três zagueiros, dois volantes, um meia recuado, um meia adiantado, um único atacante, e alas abertos. O Nacional empatou. Castigo merecido.

Torçamos todos que o vírus do 3-5-2 à brasileira seja apenas uma doença passageira, e que Luxemburgo volte a apresentar equipes posicionadas conforme sua característica: com equilíbrio e articulação, posse de bola e busca pela vitória. Este defensivismo não combina com ele.

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