O dossiê - Parte 5

Há quem diga que o vencedor da Taça Brasil não pode ser chamado de campeão brasileiro porque a competição era uma “taça” e não um “campeonato”. Se isto fosse levado ao pé da letra, não haveria campeões europeus, sul-americanos ou mundiais, pois as competições que os definem são todas taças ou copas, a saber: Copa do Mundo, Eurocopa, Taça Libertadores da América, Copa América...

A propósito, “taça” vem do inglês cup, que quer dizer xícara e se refere ao formato do troféu. De acordo com o Novo Dicionário Aurélio, não há qualquer distinção entre os termos copa, taça, campeonato ou torneio. Todos significam “certame” ou "competição”.

Se competições chamadas taça ou copa não pudessem dar aos seus vencedores o título de campeão brasileiro, então 15 edições chamado “Campeonato Brasileiro” deveriam ser anuladas.

De 1975 a 1979 o nome correto do “Brasileiro” foi Copa Brasil; de 1980 a 1983, Taça de Ouro; em 1984, Copa Brasil; em 1985, Taça de Ouro; em 1986, Copa Brasil; em 1987, Copa União; em 1988, II Copa União, e em 2000, Copa João Havelange.

O termo “Campeonato Brasileiro” só foi adotado em 1989, e em suas quatro edições iniciais, de 1971 a 1974, seu nome era “Campeonato Nacional” – competição que serviu, principalmente, aos propósitos populistas do Governo Militar. “Onde a Arena vai mal, mais um time no Nacional. Onde vai bem, mais um time também” –era o slogan que justificava o inchaço de uma competição que a cada ano recebia dezenas de novos convidados.

QUALIDADE X QUANTIDADE
A fórmula de disputa da Taça Brasil inspirou-se na Taça dos Campeões da Europa e no Campeonato Brasileiro de Seleções. Da Taça Européia copiou o critério de só permitir a participação de campeões (lá nacionais, aqui estaduais) e do Brasileiro de Seleções o handicap que dava aos representantes paulistas e cariocas a vantagem de estrear nas semifinais.

Até 1959 a hegemonia nacional de Rio e São Paulo era esmagadora, assim como com os times sul-americanos e europeus no Mundial de Clubes da Fifa, que já entram nas semifinais da competição. Afinal, nunca houve um mundial vencido por um time que não fosse europeu ou sul-americano, o que comprova a procedência da fórmula empregada pela Fifa.

Um dia, talvez, países africanos e asiáticos, com um futebol mais competitivo e mais força política, contestem a fórmula atual dos mundiais de clubes e seleções. Talvez queiram até anular as competições já jogadas. Mas seria justo apagar o passado por uma circunstância do presente?

Sabemos que por 22 anos o título mais importante para um clube brasileiro – o “Mundial” de Clubes – foi disputado em apenas uma partida, no Japão. Isso deve tirar o brilho dessas conquistas?

Não há qualquer relação entre a importância de uma competição e o número de partidas jogadas. A Taça Brasil selecionou campeões que representaram o Brasil com dignidade na Taça Libertadores da América, alcançando 50% de participações em finais na competição sul-americana, índice só superado nos anos 90.

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