O dossiê - Parte 4

TAÇA BRASIL X COPA DO BRASIL, UMA COMPARAÇÃO SEM SENTIDO

Enquanto a Taça Brasil reunia campeões estaduais e foi, por oito anos consecutivos, a única competição nacional a dar vaga para a Taça Libertadores da América, a Copa do Brasil é um torneio de excluídos, não é prioridade para as grandes forças do futebol nacional, dá como prêmio apenas uma das cinco vagas do Brasil na Libertadores e não empresta ao seu campeão o título de campeão brasileiro da temporada.

Ninguém chama, ou chamará, o vencedor da Copa do Brasil de campeão brasileiro da temporada. Este título está reservado ao vencedor da Série A da competição nacional hoje denominada “Campeonato Brasileiro”. O campeão da Copa do Brasil é apenas o campeão da Copa do Brasil, ao contrário do vencedor da Taça do Brasil, que era considerado, divulgado e premiado como campeão brasileiro.

É importante destacar que, enquanto durou, a Taça Brasil definiu as únicas vagas brasileiras para o Campeonato Sulamericano de Clubes, ou Taça Libertadores da América. De 1959 a 1966 apenas o vencedor da Taça Brasil representou o País na Libertadores, e de 1967 a 1969 o direito foi estendido também ao vice-campeão da Taça Brasil.

Ou seja: de 1959 a 1969 nenhum time brasileiro que tenha participado da Libertadores chegou à competição sem ser campeão ou vice da Taça Brasil. A relevância da Copa do Brasil é bem menor. Como já dito antes, ela dá 20% das vagas brasileiras para a Libertadores e seu título é muito menos importante do que o do Campeonato Brasileiro.

TORNEIO DOS EXCLUÍDOS
A Copa Brasil, desde a edição 2001, não permite a participação dos times brasileiros classificados para a Taça Libertadores. Ou seja, os quatro times de mais destaque do País no ano anterior ficam fora da Copa. A tabela de 2009, a propósito, não consta de São Paulo, Grêmio, Cruzeiro e Palmeiras.

Além desses sentidos desfalques – já que teoricamente se tratam dos melhores times do País –, a competição, disputada no primeiro semestre do ano, ainda sofre a concorrência dos estaduais, cujo título é mais valorizado por alguns clubes, que
chegam a escalar reservas nos seus compromissos da Copa.

O desinteresse das grandes forças do futebol nacional provocou, em algumas edições da Copa do Brasil, surpresas significativas, como os títulos de Criciúma em 1991, Juventude em 1999, Santo André em 2004 e Paulista de Jundiaí em 2005, sem contar os vice-campeonatos de Ceará em 2004, Brasiliense em 2002 e Figueirense em 2007.

Por outro lado, a Taça Brasil foi disputada pelas equipes mais poderosas do futebol nacional e só foi vencida por clubes que, de tanto prestígio, depois viriam a fundar o Clube dos Treze. Como prova de sua categoria superior, todos os campeões da Taça Brasil conquistariam depois também o título do Campeonato Nacional.

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