A resposta do Santo


Sua atitude foi errada? FOI!
Mas, quem nunca errou? O Marcão foi pra cima nitidamente com espírito torcedor encarnado. Então, resolveu dar uma coletiva para se explicar, e respondeu a sua altura.

Reconhecendo o erro
"Estou aqui para pedir desculpas. Foi ridículo o que eu fiz. Não fiz aquilo com intenção de passar por cima do comando do Vanderlei, nem dos meus companheiros. Fiz porque pensava que o jogo já estava no final. Quando desci para o vestiário e fui embora para casa, ainda pensei que havia feito a coisa certa. Mas, com a minha esposa no carro, vi as pessoas falarem que eu fui a primeira vez com 28 minutos. Na hora, falei 'Meu Deus, não acredito!'."

Atitude
"As pessoas podem me julgar pela minha atitude, mas não pela minha intenção. Na hora, achei que estava fazendo a coisa certa. Mas tudo foi feito de boa intenção. Faltou apenas comunicação do tempo de jogo. Uma pessoa que estava ali de fora me passou que faltavam sete minutos. Fiz as contas rapidamente e pronto: me mandei para a área. Vi muita gente questionando minha intenção. Mas para quem me conhece há tanto tempo no futebol, sabe que estou aqui para falar a verdade."

Punição
"Se eu tivesse na pele do Vanderlei, também teria ficado revoltado. Acho que ele pode fazer o que bem entender. Vou aceitar qualquer tipo de punição, até se ele não quiser me levar para a próxima partida ou me tirar a tarja de capitão. E todos devem apoiar o que ele fizer. Pela atitude, mereço uma punição. Pela minha intenção, não."

Luxemburgo
"Não existe essa coisa de Marcos x Luxemburgo. Além de profissionais no trabalho, nós sempre fomos muito amigos. E eu sei que ele acredita na minha palavra. Não temos nada um contra o outro, foram momentos que aconteceram. Não existe essa coisa de 'grupo do Vanderlei' e 'grupo do Marcos'. Só quem fala isso é que não conhece o nosso dia-a-dia. Ele é um dos melhores do Brasil e merece todos os créditos da nossa torcida. Foi ele quem me deu a oportunidade de voltar a jogar futebol. Isso eu não esqueço."

Lado torcedor
"Com 16 anos de clube, eu não consigo ser só profissional. Nunca fiz média com ninguém. Se a torcida gosta de mim, foi pelas coisas que conquistei. Foi por ter quebrado a clavícula ao me jogar na bola numa dividida. Foi por ter deixado de lado uma proposta de 45 milhões do Arsenal-ING para ficar aqui e jogar a Série B. Eu deixei de agir só com a razão. Às vezes, faço as coisas com o coração, como um verdadeiro torcedor. Eu gosto demais do Palmeiras e só faço as coisas para ajudar. Mas sei que isso às vezes atrapalha."

Sinceridade
"Acho que a torcida grita meu nome no estádio porque sou 'xarope' (risos). Minha sinceridade existe desde quando eu me tornei jogador de futebol. Talvez isso tenha cativado os torcedores do Palmeiras e também dos outros clubes. Mas, no futebol, talvez não seja bom ser tão autêntico. Outro dia, falei que o time não jogou bem e fizeram um escândalo. Distorceram e falaram que critiquei o time. Não fiz isso. Mas como é o Marcos, é outra história. Já estou me policiando. Nesse último jogo provei que melhorei um pouco, pois nem entrevista eu dei (risos)."

Relação com o grupo
"Minha relação não mudou em nada. Vou pedir desculpas para o elenco, pois falo as coisas olhando na cara de cada um. Eles sabem que eu não tomei nenhuma atitude pensando em prejudicar alguém. Vi alguns comentaristas falando como o Alex Mineiro estaria se sentindo ofendido por eu ter ido na área. Mas isso não tem nada a ver. Não fui porque não acredito nele, pelo contrário. Um jogador de quase dois metros na área poderia ajudar. Minha intenção foi essa. Quando os atacantes vão para a área ajudar na marcação, ninguém fica pensando que eles estão lá porque não confiam na defesa. Não cometi nenhuma infração. Tentei ajudar e eles sabem disso."

Morte do pai
"Comentaram que eu falhei no gol e relacionaram com a morte do pai. Não achei que a falha foi só minha. Foi um erro coletivo. Primeiro, porque o Tcheco pegou a bola sem marcação. E eu também achei que ele tentou cruzar. Eu posicionei a defesa para esperar o cruzamento, e quando vi, ela já estava muito em cima. Foi uma falha coletiva. Mas minha atuação até que foi boa. Fiz algumas defesas legais. Só queria ter vencido para dedicar ao meu pai [Ladislau Silveira Reis]. Não tem explicação a perda de um pai. Fiquei alguns dias inconformado. Mas o tempo faz a gente entender melhor a morte."

Campeonato Brasileiro
"Temos que continuar brigando pelo título. O campeonato não acabou. Vamos lutar até enquanto tivermos esperança e chances matemáticas. Esse episódio não vai atrapalhar nossa caminhada. Nós sabemos que nossas chances ficaram mais complicadas, mas temos que pensar em fazer nossa parte e esquecer quem está na frente. Se eles tropeçarem, ótimo. Caso contrário, a gente vê até onde dá. Precisamos ganhar esses quatro jogos e ponto final."

E chega! O Palmeiras precisa acreditar. Basta UMA derrota dos bambis paulitas e UM empate que seja dos bambis gaúchos que entramos na briga de novo. Quatro pontos faltando quatro rodadas é sim significativo. Mas se formos com pensamento pequeno, vamos perder do Flamengo e aí sim, adeus título e até mesmo a libertadores ficaria complicada.

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